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“Precisamos de Visibilidade e Políticas Públicas”; 20ª Parada do Orgulho LGBTI de Palmas é marcada por manifestações e celebração consciente

Após quase uma semana de eventos, audiências e reuniões para debater ações em prol das necessidades do público, aconteceu neste domingo (15), a 20ª Parada do Orgulho LGBTI de Palmas, com a presença de personalidades e autoridades da Capital, além de milhares de pessoas prestigiando e curtindo o evento. O clima era de festa, mas era pulsante entre o público o tom de manifesto contra o preconceito e a violência.

O tema desta edição era “As Precursorxs do Tocantins,” que exaltava as primeiras pessoas que promoveram o evento na capital. Em alto e bom-tom, essas precursoras se expressavam em megafones e aos gritos pedindo pelos direitos básicos, como a denúncia que ecoava de cima do trio elétrico durante o início da caminhada: “Um fato que aconteceu comigo hoje. Peguei nas redes sociais um ataque contra minha pessoa, um caso escancarado de homofobia […] Fui atacado com palavras que eu prefiro nem dizer aqui e vou fazer uma denúncia com a defensoria pública para que nossos direitos sejam garantidos,” afirmou a pessoa que preferiu não ser identificada.

Carro do estilo “trio elétrico” que conduzia o público continha precursoras e organizadores utilizando um megafone para manifestarem um clamor pelos direitos básicos do público LGBTQIA+. – Foto: Bia Pontes

Para entender um pouco mais da realidade da produção deste evento, Wemerson Lima, Presidente do Conselho Estadual dos direitos das pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Queers, Intersexos, Assexuais e Outras (CELGBTQIA+), explica: “dependemos muito do poder público, mas, sempre de forma muito organizada fazemos acontecer, independente de vir apoio ou não, e tem dado muito certo,” ressalta.

Wemerson destaca também: “esse caminho foi traçado há 20 anos. Essas precursoras realizam a para de forma divertida, mas isso aqui é um manifesto político e social, para que tenhamos mais políticas públicas. E precisamos avançar mais, para isso, precisamos nos organizar […] Ainda temos pautas de urgência. A maior é fazer a conferência estadual e tirar delegados que nos representem em Brasília. A outra é a empregabilidade de pessoas trans. As pessoas transexuais precisam de emprego, respeito e cidadania. Sem isso é impossível a gente garantir direitos fundamentais no Estado.

Também uma batalha jurídica

A Parada do Orgulho LGBTQIA+ não é apenas uma manifestação de celebração da diversidade — ela também simboliza a luta por direitos, respeito e dignidade. A presença de instituições públicas no evento reforça a legitimidade dessa luta e sinaliza que o poder público tem um papel fundamental na promoção da igualdade.

Para Ludne Nabila, representante do Núcleo Especializado de Defesa dos Direitos Humanos, esses direitos ainda encontram obstáculos no Tocantins: “Hoje, no Estado, a gente ainda observa um grande movimento de resistência à defesa dos direitos individuais e coletivos da comunidade LGBTQIA+. A defensoria vem nessa ação judicial e também extrajudicial tentando organizar, tanto o movimento, quanto ações e projetos voltados à garantia desses direitos,” afirma.

Nos últimos anos, a Defensoria Pública do Tocantins tem desenvolvido ações estratégicas voltadas à promoção da igualdade de gênero e ao combate à discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. Entre elas, destacam-se os atendimentos jurídicos gratuitos e humanizados para vítimas de LGBTfobia, o apoio em processos de retificação de nome e gênero para pessoas trans, o trabalho da Defensoria junto a escolas, comunidades e instituições públicas para a formação de redes de acolhimento e combate à violência, além de campanhas de conscientização sobre os direitos da população LGBTQIA+ e a importância do respeito à diversidade.

“Essa parada é muito especial, pois voltamos de uma época de campanhas políticas que afetaram muito os direitos dessas pessoas e essa edição é uma forma de mostrar nosso inconformismo e dizer que não aceitamos mais o desrespeito,” conclui Ludne.

A onda de leques trazia cor e identidade ao evento. – Foto: Bia Pontes

Políticas de inclusão institucionais

A presença de representantes políticos comprometidos com a pauta LGBTQIA+ é fundamental para garantir esses direitos básicos. Esses aliados, quando ocupam espaços de decisão, ajudam a transformar pautas históricas em ações concretas impactantes de forma direta na vida de pessoas que, por muito tempo, foram invisibilizadas pelas instituições.

Em Palmas, o Coletivo SOMOS tem se destacado como uma das principais vozes políticas em defesa dos direitos LGBTQIA+. Formado por pessoas da própria comunidade e aliados, o grupo atua dentro e fora das câmaras institucionais, levando adiante bandeiras como o direito à livre orientação sexual, identidade de gênero, respeito nas escolas e combate à violência. 

Para Alexandre Peara, integrante do coletivo, “sempre é um desafio muito grande (organizar a parada), pois não há um espaço físico, é apenas uma junção de grupos aqui de Palmas que se mobilizam e por ser uma iniciativa privada, acontece apenas com ajuda. Pedimos ajuda para empresas, pessoas e tudo acontece com uma estrutura mínima,” afirma Peara.

Alexandre também destaca que a sociedade também precisa agir para ajudar a causa, e a forma como isso deve ser feito é “o nosso papel é de mostrar presença, “botar a cara no sol” e dizer que estamos aqui e conscientizar as pessoas de que isso é normal e ta tudo certo […] Nossa comunidade tem tantos retrocessos e atrasos que eu costumo dizer que uma vitória, não passa de um respiro. Precisamos de visibilidade e políticas públicas” finaliza.

Público cada vez mais consciente

O público presente na 20ª Parada do Orgulho deu um show de consciência e mobilização social. Milhares de pessoas ocuparam as ruas não apenas para celebrar sua existência, mas para reafirmar que direitos básicos ainda precisam ser garantidos à população LGBTQIA+. Com bandeiras nas mãos, cartazes e palavras de ordem, os participantes transformaram a festa em um grande ato político de reivindicação.

O significado da Parada teve, quase unânime, como resposta: “Resistência. Primeiramente resistência, mas vejo também muito amor, muita resiliência e isso é lindo,” afirma o fotógrafo, Thaylon Reis.

Para a drag queen, “Serotonina”, como ela pediu pra ser identificada, o principal ponto que a Parada promove é a conscientização sobre a existência dessas pessoas: “Estamos aqui para celebrar nosso orgulho, mas o mais importante é a conscientização. As pessoas vão querer saber o que aconteceu, pesquisar notícias e ver que estamos aqui, que existimos e vão ver que temos orgulho disso, orgulho do nosso jeito de ser”. Finaliza enquanto abana seu leque.

Igor Carneiro

Escritor

Aluno de jornalismo

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