Por: Nicole Adler
A banda Móia Cumbia, composta de sete integrantes, é a afirmação nortista-latina levada ao seu extremo mais musical e dançante. Ao mesclar elementos da música paraense, e outros variados gêneros, aos ritmos dos inúmeros tipos de cumbia, a banda movimenta os corpos do cerrado tocantinense há mais de três anos. O próprio nome já diz: quem vai à um show da banda e não sai “moiado” de tanto dançar ainda não vivenciou tudo que a banda tem para oferecer.
E foi na praça da 108 Sul, no mesmo gramado onde tudo começou, que cinco integrantes da banda — Arthur, Bárbara, Diogo, Maju e Tácio — afirmaram mais uma vez a “palavra da cumbia”. Dessa vez, de uma forma diferente: sem a companhia dos instrumentos musicais.
Nicole – A primeira pergunta, na verdade, acho que seria mais pro Diogo, porque ele é o membro mais antigo dos que estão aqui hoje. Como surgiu a ideia de trazer a cumbia pro Tocantins?
Diogo (Guitarra) – Então, na verdade, essa é uma ideia bem antiga que vem, na verdade, do Nahuel (vocalista), que não está aqui, com o Pavão, um membro antigo que já não está mais na banda. Eles já tinham essa vontade de trabalhar com cumbia. O Pavão já discotecou cumbia e o Nahuel é argentino, ele conhece de movimentos culturais de lá. Dado isso, a gente se encontrou aqui nessa praça, e surgiu a ideia de fazer uma banda de cumbia.
A partir disso, a gente começou a estudar, não apenas a música, mas o que é cumbia, o estilo. E, assim, a gente começou a entender a importância cultural que tem a cumbia na América Latina. Foi isso que trouxe essa conexão, assim, com os vários países da América Latina. Porque tem o Nahuel que é de lá, da Argentina, mas, de repente, a gente começou a entender que existem várias cumbias diferentes. Então, assim, da Argentina até o México, tem cumbias de vários estilos diferentes. E, ao mesmo tempo, a gente foi entendendo que a cumbia não é apenas um estilo musical, é uma língua franca para vários tipos de possibilidades de música diferentes.
Então, você tem a cumbia do Peru, que é uma cumbia psicodélica, e aí você tem a música tradicional da Colômbia, essa música dançante, isso nos cativou muito. Quando a gente começou a entender um pouco mais que é um estilo musical que vem de uma conjunção afroindígena, da colômbia, que se dispersou, que veio parar no Pará com a guitarrada, então tudo foi ligando coisas com a gente, que a gente foi trazendo nossas musicalidades anteriores, para dentro do estilo, e foi uma coisa mais ou menos natural.
Nicole – A gente está aqui hoje na praça, e qual é a importância aqui da Praça da 108 para a banda Móia Cumbia? A Bárbara me falou que foi aqui que nasceu a história da banda. Como é que isso começou e por que?
Diogo – Em 2022, eu tinha passado um ano e três meses filmando um longa em uma aldeia Indígena, nos Krahô. Logo que eu cheguei aqui, quando eu terminei de filmar, no primeiro fim de semana eu venho com meu filho pra cá, eu morava aqui, bem nessa rua. Ele fez amizade com outro menino, que era o Iuri. E aí, eles começaram a ficaram amigos e tal. Aí de repente chega o Pavão com um violão e aí começa, a gente se conhece nesse momento. E aí chega a Camila também, que fez parte da banda no começo. A gente começou a tocar aqui, bem nesse gramado, pedimos uma pizza, ficamos aqui nesse gramado até altas horas.

E, bom, foi o ponto de início. E nesse dia, que a gente começou a pensar sobre a banda, e que deu certo, a gente casou musicalmente. Mas muitas outras vezes também, a gente faz reuniões aqui. Porque tem isso, tem muitas crianças na banda, filhos. Então tem essa praça, que é um parquinho, que a gente acha que é muito legal. Então é um lugar simbólico assim, desde o início, faz parte da gente. Sempre que quer se encontrar…
Nicole – Com relação ao nome da Móia Cumbia, como é que ele surgiu e o que ele representa para cada um de vocês?
Diogo – É um nome que já existia também, antes da banda, o tio Pavão já tinha pensado nesse nome com o Edu do Trio Bacana. Eles tinham pensado em fazer um projeto assim com esse nome e nunca tinha dado certo. Mas pelo que eu compreendo, tem dois significados importantes, que é o de “moer”, “moer a cumbia”, “mói a cumbia”, “mói de dançar”. E de molhar, né. O “móia” de molhar.
Bárbara (Saxofone e Agbê) – Não tem como estar na cumbia sem estar molhada, não é nem possível, não tem como, eu vejo assim.
Nicole – Existem poucas bandas com o enfoque da cumbia no país, dessa forma, qual é a importância de trazer a cumbia para a cena musical, não só tocantinense como brasileira?
Vicente (Filho do Diogo) – Ihhhh, agora eu não sei.
Barbara – Agora ficou complicado, né, Vicente? *risos*. Recentemente a gente foi convidado por um produtor de Brasília para fazer parte de um projeto, e ele falou que também fez uma pesquisa no Brasil inteiro e que é bem escasso realmente bandas de cumbia. O que é muito preocupante porque é um ritmo latino mesmo.
Então o Diogo, fala sobre a nossa latinidade, sobre a gente realmente cantar, viver aquilo que… Sei lá, quem sabe o que é cumbia mesmo, né? A gente não cresceu, eu não cresci com essa informação, com essa cultura, com até a escuta mesmo. Então é algo que é muito importante, muito simbólico. Eu levo para a minha parte educadora porque a gente precisa realmente entender a nossa ancestralidade musical mesmo também. Não só musical como de história de um contexto total, assim, de América Latina, né?
Arthur (Baixo) – Eu não sei, me parece que a parte escassa começa a se deslocar um pouco, há um tempo atrás se falava de deslocar o eixo musical do Brasil, do eixo Rio-São Paulo. Eu acho que, ver que não tem muita banda de cumbia, conhecer muita coisa, não está muito por aí na mídia e tal, diz um pouco disso, de como era um mercado fonoaudiológico, e como a música era dominada por certa região do Brasil, por certos tipos de banda, por uma influência estrangeira, sei lá, do rock’n’roll e de outras situações.
E aí eu acho que agora existe um pouco mais de valorização de uma cultura que é mais norte do Brasil. Chega um pouco do Pará, chega um pouco do que tem o norte brasileiro, que até o Diogo estava comentando, as guitarradas, a lambada, acho que tem essa aproximação. E aí aparece mais um pouco agora por um novo momento do espírito musical, do espírito cultural brasileiro.
Diogo – Tem uma coisa também que eu acho que faz parte disso, que é a gente ter dado as costas, né? Eu acho que é uma coisa da língua, né? Todos os países da América Latina, falam o Espanhol, a gente não, mas eu acho que não é só isso, sabe?
O Brasil não se preocupa muito com essa relação com os outros países da América do Sul diferente deles. Então, eu acho que não ter muita cumbia no Brasil é um sintoma disso, porque a cumbia é realmente um estilo musical que é muito popular, muito popular. Na Argentina é tipo um movimento de rua, né? Tem lá um estilo que é a Cumbia Villera, que é da favela. No México é, tipo, uma coisa super pop, super, super, super pop. E no Brasil eu acho que não tem muito isso. Tem assim, é muito cult, então na verdade, é o contrário. Todo o resto dos outros países é muito popular e aqui é muito cult.
Nicole – Uma coisa que todos vocês mencionaram é o papel da cumbia nessa afirmação da nossa latinidade, assim, porque apesar de a gente ser latino, o Brasil fica meio a parte dessa afirmação latina, né? Vocês acreditam que a cumbia tem esse papel, e por que esse papel é importante?
Tácio (Congo e Cajon) – Mas assim, uma perspectiva de que, na verdade, isso não é isolado, né? Porque a gente vira as costas, não só para a latinidade, mas vira as costas para o norte. E a gente é do norte. E a cumbia no Pará, assim como o Zuki, assim como o Merengue, são ritmos que tocam popularmente misturados com o Brega, com o Tecnobrega.
Então, eu acho que a Móia Cumbia não surge de um contexto isolado, né? Ela surge dessa raiz da gente que está no norte. Pegando ali um pouco o “pré-móia cumbia”, tinham algumas bandas ali que colocavam ainda que mais timidamente a cumbia. Tipo a Academia da Berlinda, algumas bandas assim, principalmente norte e nordeste, né? A Companhia do Calypso já tinha a cumbia ali. Então, era popular no norte, funcionava como ritmo popular, e no restante do país tinha esse ar mais cult, né, de bandinhas mais alternativas, que não tinham muita capilaridade no resto do país.
Nicole – Vocês fazem adaptações de Bowie e música paraense e pop e tudo junto, assim, como vocês selecionam esse repertório e como ele é adaptado?
Bárbara – É difícil explicar como é a seleção, são muitas ideias, sabe aquele álbum Tudo vira reggae? A gente tem vontade de fazer o tudo vira cumbia. *risos*
Diogo – É, eu acho que tem a ver com o fato de ser uma língua franca. Quando a gente começou não conhecia muito as cumbias, mas a gente queria tocar. Então a gente tinha um repertório em comum, que era de Bowie e várias outras coisas, Nirvana, Metallica. E a gente foi tentando fazer essas coisas dentro do ritmo da cumbia, e foi dando certo.
Nicole – Vocês acreditam que qualquer tipo de repertório pode ser trazido para a cumbia?
Maju (Percussão) – A gente faz nossas versões, né? A gente cria ali, naqueles nossos momentos de produção que a gente chama de “Ensaio Criativo”. A gente sempre tenta trazer essas músicas, né? Músicas de gosto pessoal de cada um, uma cumbia diferente que a gente acaba conhecendo pra gente fazer nossa adaptação mesmo com as nossas características de banda, né? Cada um traz isso.
Nicole – O que são esses “Ensaios Criativos”?
Bárbara – São esses ensaios que a gente decide que não é para tocar um repertório específico para algum show. É o momento que alguém começa com o riff, os instrumentos vão entrando, aí você faz assim, aí começa um solfejo, aí tenta fazer uma repetição.
Eu participei, acho que de dois. Mas, assim, acho que foi bem no início, né, quando eu entrei na banda. É, e foi muito importante, até porque eu conheci o Diogo nesse contexto de criação, veio o convite a partir disso. E é uma das coisas que me chamam muita atenção na Móia Cumbia, é uma banda que sempre está pensando em compor, em experimentar sons. Então, quando eu recebi o convite do Diogo para ingressar eu falei, “ah, eu vou lá tocar uma percussão”, mas ele “não, a gente quer o seu saxofone”,e aí eu fiquei, “tá e aí? o que eu vou fazer com o meu saxofone na cumbia?”. E aí começou todo esse processo de estudo também, né, de inserção do gosto pessoal para decidir o que tocar, o repertório que tocar.
Tácio – Mas é uma coisa que a própria variedade de cumbia que existe favorece também, porque a gente tem estilos de cumbia completamente diferentes, que vão do psicodélico ao mais rural. Cada país tem uma “cozinha” de instrumentos diferentes, tem países que trazem o Acordeon e a Sanfona na cumbia, tem países que têm outros instrumentos percussivos. Então isso favorece também a experimentação. Se existe tanto tipo de cumbia, porque a gente não consegue transformar outro tipo de música em cumbia.
Diogo – E também não é qualquer coisa, né, que vira cumbia. Primeiro, eu acho que é um pouco inverso, porque a gente começa a tocar uma cumbia tradicional, e a gente começa a decompor, né, começa a colocar o nosso jeito de tocar. De repente a gente percebe que tem uma célula ali que é do baião, sabe? A gente tem alguma coisa aqui. A gente começa a refazer esse caminho. Então, o baião não tá aqui atoa. De repente a gente percebe que tem uma célula do carimbó. A gente percebe que o carimbó tá na cumbia de um certo modo, porque a guitarrada é a mistura da cumbia com o carimbó. Essas coisas vão acontecendo assim, e a gente começa a perceber que a cumbia em si mesmo já é uma mistura. A gente tá só continuando a fazer um procedimento criativo que a cumbia começou a fazer, sei lá, 100, 200 anos atrás.
Nicole – Como foi no início, mas como tem sido agora também, a receptividade do público?
Maju – Cara, eu acho que o nosso público foi crescendo, né? A gente começou meio que desconhecidos assim trazendo a cumbia aqui para o estado. Hoje eu vejo que a coisa foi difundindo, né? Em boca a boca mesmo. Tanto que a gente sempre vê os rostos parecidos similares, a mesma galera, a galera é meio que seguidores fiéis, assim, é isso. *risos*
Bárbara – Eu estou com uma parte da comunicação junto com o Tácio. A gente recebe muito amor, muito carinho, muitos agradecimentos. E temos um público fiel, esse que já é um público que arrasta mesmo multidões. E era o que eu estava comentando esses dias sobre a cumbia. Por que aqui não se dança cumbia? Fiquei pensando quem poderia ensinar o nosso público a dançar cumbia, explicar o que é a cumbia. O forró hoje é algo muito forte aqui, existem escolas de dança, existem lugares para se dançar forró. E o forró ele precisa de uma companhia para você dançar ele, não tem graça você ir para o forró sozinho, a não ser que você encontre parceiros para dançar. E a cumbia ela é essa dança que é só você. Então ela é muito envolvente.
Ela é uma questão muito também de empoderamento, de a pessoa ir para o rolê sozinho. O que acontece com muita frequência nos nossos shows, pessoas irem sozinhas, e elas irem dançar sozinhas, sem depender de um parceiro ou de ninguém para se divertir. E isso é muito gostoso.
Nicole – Vocês já tem discografia autoral no Spotify, né? Como que funciona o processo de composição de vocês, é algo coletivo? E aí eu já mesclo com outra pergunta: tem coisa nova vindo, também com relação a essa música autoral?
Diogo – A gente trabalha muito por demanda assim, a gente tem sete músicas, sete ou oito, e assim, a gente fez todas de uma vez, em uma semana, acho.
Maju – Foi. Foi meio que uma pressão. Fazíamos o nosso show, mas ainda não tínhamos nossas músicas autorais, né? E surgiu a oportunidade do Festival Bem Ali. E acabamos nos inscrevendo para participar da seletiva, mas foi um tempo muito curto, a gente decidiu, assim, de última hora participar. “Mas e aí? A gente vai ter que produzir música autoral, um festival autoral.”
Aí a gente se juntou, começou a fazer vários ensaios criativos, deixava a coisa fluindo ali, Diogo e Carol já tinham algumas composições. Acho que um dos nossos colegas, Ícaro, que era um dos antigos da banda, também já tinha algumas coisas autorais produzidas. E a gente foi mesclando ali, unindo, planejando e tirando ali as músicas. Saindo riff, começa ali e faz um riff, o Diogo já entrava ali também com a guitarra.
Foi um ensaio na pressão, que deu muito certo, eu acho que foi o auge da nossa produção. Agora a gente também conta com novos artistas da banda, que já tem uma bagagem, o Tácio, o Arthur, e a gente tem letras, assim, mais encaminhadas, né? Precisamos agora ter mais ensaios criativos para continuar essas produções. Ou uma pressão aí pro negócio fluir. *risos*
Diogo – Depois que a gente compôs essas músicas, a gente tocou nesse festival, foi muito legal. A gente gravou essas músicas, a maior parte delas, em casa. A gente foi gravando aos poucos, uma depois da outra, algumas a gente colocou nas plataformas, outras não colocamos ainda. E tem uma que a gente fez depois de uma produção um pouco melhor pra fazer o clipe, que tá só no YouTube, não tá ainda nas plataformas.
A gente tem projetos de fazer novas gravações, mas de modo diferente, sabe? Gravar todo mundo junto, porque uma coisa de ter um home studio: é muito legal porque democratiza muito a possibilidade de gravar, só que a gente grava tudo separado, e eu acho que não é muito essa onda da banda, sabe? Gostaria muito que a gente conseguisse gravar todo mundo junto, com essa coisa da antiga, estúdio preparado pra isso, muito bem ensaiado, pra poder gravar, se possível, tudo analógico.
Pra isso a gente precisa ter um edital, um projeto, pra ter alguma grana pra isso. E aí eu, pelo menos, particularmente penso que uma próxima vertente de músicas pra sair seria, mais ou menos, nessa levada. A gente se prepara pra ir, construir e gravar. Assim, a gente compõe mais umas seis músicas.
Nicole – E a última pergunta, essa eu gostaria muito que todo mundo respondesse: Como vocês descreveriam o som da Móia Cumbia pra alguém que nunca ouviu?
Maju – É uma mistura psicodélica do Tocantins com a América geral. *risos*
Arthur – Acho que é como quando você é abduzido por um E.T., e você está dançando naquela luz quando vai… Tem um pouco disso. *risos*
Bárbara – Meus amigos realmente perguntam “o que que é a cumbia?”, “o que que é a Móia Cumbia?”. E aí eu, com toda a minha paciência didática, falo que é um som que não dá pra você ficar parado. E que você vai dormir com o riff de algum instrumento, ou é da guitarra, ou é do baixo, ou é da percussão, ou é da própria voz. Porque acontece isso comigo todas as vezes, todas as vezes. O pessoal meio que identifica mesmo o que que é, né? Você vai pra um show da Móia Cumbia, você tem essa sensação de ser dançante. Gosto de falar muito sobre sermos uma banda nortista-latina, assim, sabe.
Tácio – Eu acho que é um som que te dá inúmeras possibilidades, seja do transe, seja da dança, seja da viagem, seja do bate-cabeça. É um som que traz elementos muito essenciais a nós: a percussividade brasileira, traz a psicodelia, traz o ritmo, o movimento dos pezinhos. Então é um som que te permite curtir de diversas formas. E todas as formas que te permitem curtir são muito vibrantes e animadas.
Diogo – Eu acho que é uma música introspectiva em um ritmo alegre. Às vezes, inclusive, as melodias são tristes. E não é só da cumbia isso, é da música latina de modo geral. O tom das nossas músicas todas são em tom menor.
Tácio – Tristes ou dramáticas?
Diogo – Dramáticas, mas assim, tem essa coisa do tom menor, né? Tom menor, mas não só, né? Tem muito modo da menor harmônica, né? Aquela coisa que é muito dramática, realmente. Mas, ao mesmo tempo, o ritmo é muito frenético, dançante. Então, você pensa as duas coisas assim.
Tanto que eu acho muito massa, assim, nesse som, é que a gente tem a possibilidade de improvisos sem que fique massante, porque você está improvisando dentro de uma base de ritmo que aqui está fazendo o povo dançar. Enquanto tem ali uma base rolando acontecendo, a coisa vai, né? Enquanto a gente tiver energia para tocar.


