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Iniciativa de professores da UFT busca trabalhar saúde mental de alunos e sanar problemas que afetam desempenho acadêmico

Uma crise silenciosa paira sobre o ambiente acadêmico e incertezas e desencorajamento aos alunos da UFT. Transtornos e elevação de tensões podem afetar o desempenho dos alunos e muitas vezes o próprio ambiente da universidade age em prol disso. Mas, com base na campanha do Setembro Amarelo, um projeto surgiu para tentar amenizar este quadro.

O psicanalista e professor do Curso de Psicologia e pós-graduação da UFT/ESMAT, Dr. Carlos Mendes, em parceria com a psicanalista Rhanielle Rodrigues e a Rádio UFT, estrearam nesta última segunda-feira (22), o “Tempo de Compreender,” um Podcast que busca compreender e auxiliar alunos contra obstáculos da saúde mental à luz da Psicanálise.

O programa é gravado na Rádio UFT, no campus Palmas - Foto: Igor Carneiro

O programa é gravado na Rádio UFT, no campus Palmas – Foto: Igor Carneiro

Foi realizado um estudo através do extinto programa Mais Vida, onde foram coletados dados para entender os problemas enfrentados pelos alunos do estado. Para o professor Carlos, a psicanálise pode ajudar em diversos desses problemas atuais como excesso de uso de telas, ansiedade e outros fatores: “a gente acha que saúde mental são só problemas grandes, mas o cultivo de bons hábitos e boas práticas fomenta a saúde mental. É na vida cotidiana que construímos boa qualidade de vida,” explica Carlos.

O professor Carlos Mendes, contou um pouco sobre “Na psicanálise temos três temporalidades, a primeira é o estante de ver, a segunda o tempo de compreender, que é o de elaboração e o terceiro é o momento de concluir, onde tomamos nossas decisões e atitudes, a vida está muito acelerada, pulamos do instante de ver direto para o de concluir e isso prejudica muito a saúde mental”, afirma Dr. Carlos.

Saúde mental na UFT

Na UFT, políticas relacionadas a saúde mental já existiram, porém, sem permanência, como o mencionado Mais Vida, criado em 2018 e com atividades até o ano de 2021. Questionada, a instituição informou, por meio de nota, que “a universidade atualmente realiza ações pontuais de acolhimento psicológico e campanhas de conscientização”, mas admitiu que não possui um programa permanente e institucionalizado de saúde mental voltado aos discentes.

Quadro nacional

Nos últimos anos, o Brasil deu passos importantes no campo da saúde mental escolar. A Lei nº 13.935/2019 tornou obrigatória a presença de psicólogos e assistentes sociais nas redes públicas de educação básica. Já em janeiro de 2024, a Lei nº 14.819 instituiu a Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares, voltada a estudantes, professores e famílias de escolas da educação infantil, fundamental e média.

Além disso, o Programa Saúde na Escola (PSE), parceria entre MEC e Ministério da Saúde, incluiu a promoção da saúde mental entre seus eixos de atuação.

Apesar dos avanços, nenhuma dessas medidas contempla de forma clara o ensino superior. Projetos de lei tramitam no Congresso para incluir universidades, mas ainda não foram aprovados. O que torna projetos como o “Tempo de Compreender” essenciais para a universidade e alunos.

Igor Carneiro

Escritor

Aluno de jornalismo

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